Um dia eu aprendo !

Mei 03 2012
Foto e texto: José Ricardo Barretto
Um dia eu aprendo !
Eu juro que tento
olho, entendo, copio e faço
se preciso desfaço
e enquanto o tempo passa, invento

Difícil talvez
inimaginável até então
mas se nem mesmo tento
como é que enfio a cara no chão ?

Olha, vou te dizer
me encho de coragem e pergunto
me desacomodo e tombo a vergonha
como é que o faz e qual o seu trunfo ?

Talvez diga, talvez não
se disser, que bom
mas não vou esperar seu ensino
pode ser que não diga, pois tem dom

A decisão está tomada
vou aprender e pronto
amanhã eu posso estar aí, ensinando
e tudo o que aprendi, eu te conto

Te inflamo a aprender, sempre
vale muito, te digo
e deixo aqui as minhas palavras
que são conselhos de um amigo


"TERRA" de Sebastião Salgado - Prefácio de José Saramago

April 12 2012
Comentário crítico - por José Ricardo Barretto 
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Vencedor do prêmio Camões em 1995 e do Nobel de literatura em 1998, José Saramago produz com primazia o texto que escolta a belíssima obra de Sebastião Salgado - Terra.

Produzindo um prefácio brilhante para a obra, Saramago aborda os aspectos sociais e políticos envolvidos nas questões da reforma agrária, ocupação de terras e atuação do poder público diante de temas tão sensíveis como este. Ao explorar números e informações objetivas, atribui ao texto um instrumento prático para que o leitor se situe diante do tamanho e da magnitude que tanto a obra, como o contexto social deste tema requerem.

Característica marcante do texto é a elegância e firmeza com que o escritor português associa a realidade social brasileira dos sem-terra com a criação divina e o advento da humanidade. Elegante por, no início, pautar-se por seu estilo literário como romancista e também firme, por direcionar o leitor de forma incisiva a crer na frustração do poder divino diante de tamanha desigualdade e descaso social.

A origem da humanidade pela ótica bíblica, o pecado original, o crescimento da população e o trabalho, conduzem nossa leitura de forma majestosa até assuntos atuais e pertinentes, como os episódios ocorridos em Eldorado dos Carajás e em Corumbiara, ambos explorados no texto.

Sem dúvida alguma é um texto notável, primeiro por mesclar um estilo literário com uma apresentação prática do contexto social, mas sobretudo, por mostrar que o direito e a justiça são garantias que todo o indivíduo deve ter, sejam elas de origem divina ou terrena. Uma prazerosa leitura que trilhará o terreno para uma apreciação ainda maior e muito mais profunda de toda essa obra.

Inclusão Social

April 04 2012
Foto e texto: José Ricardo Barretto
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Me acha estranho, diferente ?
Me vê como outros, limitado ?
Talvez me defina assim, ineficiente
mesmo que não me diga, me acha coitado

Limitado, diferente, ouço de tudo
as cabeças pensam, mas não falam
rotulam, julgam, quase sempre vão à fundo
nem se permitem refletir e se calam

Será que sou isso ?
O pensamento e o julgamento, personificados ?
Podia até tentar um sumiço
ou mesmo ficar aqui, sem justiça, injustiçado

Alto e claro te digo
estou aqui, sei, me esforço e faço
convido até a olhar o seu umbigo
e enquanto olha, te provo e desenho em almaço

Garanto o risco em forma tão bela
mesmo sem ser sentenciado que posso
do meu jeito, aqui contido e você, à espera
entrego em arte o que sei e o que gosto

Ficará provado, no tempo e no espaço
que minha arte eu domino e sei mostrar
embora ainda duvidem do traço
diga a eles que tenho, é só me apontar

Liberdade negada

Maart 22 2012
Foto e texto: José Ricardo Barretto
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Considere que, não se nega a liberdade a ninguém
nem ao mais pobre dos míseros
nem ao mais esnobe opulento
a nenhum ser, de certo

Considere que, ela é de todos
nasce contigo, deve sempre acompanhar-te
permite aprender, crescer
permite respirar, sem medo de não se ter

E se não tem?
fica difícil, talvez?
desarma, engessa, desconstrói
diria ate que corrói
mas de fora para dentro
pois ao contrario, nem força te deixa ter

Deveria ser sempre garantia
mas se sabe ou suspeita
que nem sempre é, o que sempre deveria ser
livre, liberto, de fora para dentro
e também ao inverso

Liberdade que não lhe deram
não explicaram, não permitiram
não consideraram, nem te ouviram
somente cárcere lhe impuseram

Se bem que ao certo, se nunca teve
nem anseia ser liberto
uma profunda tristeza, se considerar que
poderia conhecer e viver de tudo
se no início, nascesse livre, ao céu aberto

Meus olhos seus

Maart 15 2012
Foto e texto: José Ricardo Barretto
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Esses são meus olhos
eles são assim
meus olhos não me pertencem
mas eles são meus, sem estarem em mim

São infinitamente lindos, meigos, doces
de cores lindas, tão lindas
que mal se pode descrevê-las
e são meus, mas não estão em mim

Captam a luz com tamanha profundidade
direta, difusa, natural, densa, não importa
um dispositivo mágico, que captura meu ser
meu sorriso, minha lágrima, minha vida

Participa quieto, olhando, contemplando
não emite sequer uma palavra
mas quando olha, diz tudo
tudo aquilo que preciso ouvir

Diz que me ama e eu, digo também
ilumina minha vida, e como faz bem
Destrói todas as barreiras
e olha que, nem faz parte do meu ser

Me olhando, eu te amando
você aí e eu, aqui
não está em mim
mas eu sempre, estarei com você

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